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segunda-feira, 30 de julho de 2012

CONSTRUÇÃO DE TEXTO DISSERTATIVO


   
Por Marcelo Barreto

Considere o conteúdo e a forma do texto dissertativo que segue. Observe os destaques em negrito, em vermelho e sublinhado, que logo em seguida explicarei o que eles significam.

                Nas redações de concursos geralmente pedem que se produza uma dissertação, que se trata de um texto argumentativo, onde uma ideia é discutida sobre determinado tema. Geralmente, uma dissertação é escrita em terceira pessoa, letras legíveis, mínimo de 25 e máximo de 30 linhas, dividida em parágrafos denominados de: Introdução; Desenvolvimento; e Conclusão.
            Assim considerando, uma dissertação apresenta umaideia principal a ser desenvolvida através de outras que a sustentam. A ideia e/ou argumento principal é o eixo central do texto e é construída a partir de uma linha de raciocínio ao longo dos parágrafos, que devem manter coesão entre si atendendo a necessidade de coerência entre as ideias secundárias, discutidas nos parágrafos e a ideia principal.
            Desta forma, pode-se inferir que os parágrafos, por desenvolver o raciocínio possuem função especifica. Assim, no primeiro introduzimos a ideia principal, podendo também apresentar de forma sucinta as ideias secundárias de sustentação. No segundo, terceiro e quarto desenvolve-se o raciocínio. Sendo que cada parágrafo deve discutir apenas uma ideia mantendo conexão com o argumento e ou ideia principal. No último destes, associam-se as ideias secundárias sem acréscimo de outras e desta forma fecha-se o raciocínio.
            Por esta razão, a dissertação pode ser entendida como um processo de construçãoAssim, deve-se ater a alguns detalhes importantes como: evitar o uso de termos como gírias e siglas; prezar pelas regras gramaticais e pela legibilidade das letras; usar palavras e termos conectivos entre parágrafos mantendo a integração entre eles; e quanto à estética atentar para o tamanho dos parágrafos, mantendo-os entre e cinco ou seis linhas respeitando, desta forma os limites propostos.
            Assim sendo, o tema proposto à dissertação é apresentado e discutido de forma clara e coerente, tornando-a de fato um texto argumentativo, uma vez que uma ideia principal é apresentada edesenvolvida um raciocínio ao longo dos parágrafos, dentro de um processo de construção, que se seguidos adequadamente facilitam a produção de uma dissertação.



Observações:


·         O texto sublinhado representa a ideia/argumento do parágrafo. Observe que depois do ponto continuativo a ideia/argumento é desenvolvida;
·         As palavras e/ou frases em negrito sintetizam a ideia/argumento;
·      As palavras e/ou frases em vermelho funcionam como conectivos ligando a ideia de um parágrafo a outro mantendo desta forma a coesão.
·        Observe que no primeiro parágrafo trata-se da introdução. É nele em que apresenta-se a ideia principal, que é “a dissertação é um texto argumentativo”;
·         Também observe que, o segundo, o terceiro e o quarto parágrafo novas informações vão sendo apresentadas, estas constituem as ideias secundárias e/ou argumentos que sustentam a ideia principal. Observe a ideia principal afirma ser a dissertação um texto argumentativo, ou seja, um texto que traz ideias, raciocínios. Logo, estes parágrafos funcionam de forma a trazer novas ideias-raciocínios que sustentem a ideia principal.
·     É válido ressaltar que em cada parágrafo uma única ideia deve ser desenvolvida em função da principal. Observe então:

1º parágrafo: Argumenta que a dissertação trata-se de um texto argumentativo.

2º parágrafo: Argumenta que uma dissertação apresenta uma ideia principal a ser desenvolvida através de outras que a sustentam.

3º parágrafo: Argumenta que os parágrafos possuem função específica, que é desenvolver um raciocínio.

4º parágrafo: Argumenta que a dissertação pode ser entendida como um processo de construção.

5º parágrafo: Associa as ideias secundárias a principal sintetizando-as, sem acrescentar nenhuma outra.  A considerar:

A dissertação é um texto argumentativo (ideia principal)
Que apresenta um Ideia principal (ideia secundária 1)
Onde seu raciocínio é desenvolvido em parágrafos (ideia 2)
Pode ser entendida como um processo de construção (ideia 3)

·        Para se redigir uma redação em forma de dissertação pode-se construir um esquema. Observe que a síntese apresentada anteriormente que compôs a conclusão (5º parágrafo) revela este esquema.
·       Para construir um esquema, pense sobre o que você sabe sobre determinado assunto. Dentro disso há uma impressão ou ideia geral que você tem sobre este. As ideias secundárias são argumentos que sustentam a sua visão sobre o assunto. Estas trazem dados informativos sobre a ideia principal que você está defendendo. Logo a dissertação pode ser entendida também como uma defesa de uma ideia baseada em argumentos.
·         Por isso o esquema é fundamental, pois ele estrutura sua escrita.
·         Observe que a ideia de cada parágrafo foi trazida no início dele e depois do ponto continuativo ele foi desenvolvida. Entretanto, há dissertações onde a ideia principal é apresentada ao final, ou está implícita no parágrafo como um todo, geralmente naqueles em que não há ponto continuativo. De qualquer forma, considero que para quem tem dificuldade em dissertar é bom apresentá-lo logo de início, conforme o esquema desenvolvendo em seguida, após o ponto continuativo.

Autoestima: Processo de Desenvolvimento Psíquico – Do Diamante Bruto à Bela Jóia



Por definição autoestima é a capacidade de apreciar, importar, e sentir valor por si mesmo. A percepção é um processo psico-sensório-interpretativo, ou seja, percebemos alguma coisa porque captamos estímulos sensórios através dos sentidos, em seguida tomamos consciência do que foi captado e interpretamos psiquicamente. 

Por sua vez, o que é interpretado requer uma base referencial de valores e estes são formados a partir das experiências com o mundo exterior desde a infância na introjeção e assimilação dos códigos.

Logo, a autoestima depende da forma como nos percebemos diante deste sistema de valores. Primariamente a base deste sistema é formada ainda na infância. 

Como se dá este processo?

O CONFLITO ENTRE O DESEJO E A VONTADE


Alguma vez você já se deparou procurando um botão liga-desliga do coração?
Àquelas vezes em que tudo o que queríamos era não sentir o que estamos sentindo.
E que dá uma vontade de dizer: Pára tudo!
Mas, o tal do liga-desliga do coração, nada!

Nem sempre nossos comportamentos acompanham nossos sentimentos. Parece existir um tempo para cada um, apesar da relação estreita entre os dois.

Quantas vezes somos incongruentes, ou seja, nos comportamos em desacordo aos nossos sentimentos.
Outras vezes somos hipocrítas, quando falseamos nossos verdadeiros sentimentos.

Surge o CONFLITO!

Quando de uma lado encontra-se o DESEJO e de outro encontra-se a VONTADE.

Mas, o que seria o desejo, o que seria a vontade?

Desejo é a força-motriz que impulsiona o Ser em direção ao Foco-Estímulante. Conscientizada objetivamente pela declaração verbal "Eu quero", e vivida subjetivamente pelas emoções e sentimentos. Predominantemente INCONSCIENTE, a base que a estrutura é uma LÓGICA SENTIMENTAL-EMOCIONAL.

Vontade também é uma força-motriz que impulsiona o Ser em direção ao Foco-Estímulante, só que diferentemente do desejo é predominantemente CONSCIENTE e objetivamente declarada verbalmente pela expressão "Eu devo", justificada pelos valores e crenças, tendo por base estrutural uma LÓGICA RACIONAL.

Quando estamos em conflito, nos percebemos desintegrados, fora de eixo, perdemos a paz.
O conflito é uma experiência do tempo presente, nos traz uma sensação de desconforto emocional, representada pela pressão interna para resolução do mesmo.

CULPA é desfecho provisório, que surge como resultado de uma decisão, ou o DESEJO ou VONTADE, ou SENTIMENTO ou a RAZÃO. A culpa é alternativa inconsciente para o CONFLITO, pois reintegra o SER unindo os opostos DESEJO-VONTADE. É a menor distância entre um e outro.

É a solução mais inteligente?

Eu diria que não se trata disso, uma vez que se processa nas dimensões inconscientes do ser, ou seja, não se opera na lógica racional consciente, apenas conscientiza-se dela.

Cadê o botão liga-desliga do coração?

Desligar o coração, também não resolve, pois seria uma tentativa ou de negar o sentimento, ou de menos prezá-lo diante a razão. A unilateralidade não é uma solução inteligente.

Melhor seria o esforço para se conhecer melhor. Rever valores e crenças, conhecer padrões internos de pensamentos, sentimentos e emoções e gerenciá-lo.

Gerenciá-lo, como?

Reconhecendo-o, identificando-o e canalizando-o suas energias para experiências compensatórias.

Um exemplo básico:

Muitas pessoas reconhecem o valor de uma dieta equilibrada e a prática de atividades físicas para saúde como um todo. Entretanto, dispor-se a isto significa mudar alguns hábitos o que pode gerar CONFLITO.

De um lado o DESEJO representado pela força-motriz que impulsiona o Ser em direção ao FOCO-ESTIMULANTE que proporcia prazer imediato na satisfação do mesmo, no caso, a injestão aleatória de alimentos. Se conscientiza o desejo pela expressão "Eu quero comer isto" e justifica-se pela satisfação imediata proporcionada.

Do outro lado, a VONTADE representada pelo valor dado uma vida saudável. Argumentada pela expressão " Eu devo comer isto".

Ficar dividido entre o DESEJO e a VONTADE é uma experiência presente e desagradável. A pressão interna nos leva a decidir.

Mas...

Atender o DESEJO e comer uma torna hiper-calórica gera a CULPA quando se tem a VONTADE de se manter uma vida saudável.
Por outro lado, negar o DESEJO e atender a VONTADE comendo duas fatias de pão integral também gera a CULPA de não ter tido o desejo satisfeito.

A CULPA é a solução provisória e consequencia primeira do CONFLITO. Ela une as partes opostas e integra o Ser Dividido. E apesar de ser uma vivência desagradável, consome menos energia do que a tensão do CONFLITO.
Ela é sempre o resultado da decisão unilateral que libera o fluxo energético através de atitudes e comportamentos apenas de uma das partes. Por isso a sensação de descompensação representada pela culpa. Não nos sentimos inteiros, porque uma parte de nós mesmos não foi atendida e a CULPA é a reprensentação desta descompensação, que mostra que um lado foi atendido mas que o outro continua existindo, e isto por mais absurdo que pareça ainda consome menos energia do que se manter divido no CONFLITO.

O que fazer?

Quem disse que eu sei?

Risos!

Conhecendo-se cada vez mais amplia-se POSSIBILIDADES, aumentando nosso CAMPO de AÇÃO: ATITUDE-COMPORTAMENTO.

Por que ao invés de comer uma torta inteira não comer apenas uma fátia?
E por que ao invés de se exigir 2 horas de atividades físicas, não respeitar o ritmo próprio, reflexo dos padrões anteriores e começar com 1 hora, gradativamente aumentando?

Comer apenas uma fátia pode não satisfazer 100% o seu DESEJO, mas também não lhe proporcionará 100% de culpa.
Fazer 1 hora de atividades físicas pode não satisfazer 100% a sua VONTADE dentro de seus valores e metas estipuladas, mas também estará respeitando seu TEMPO (condições e ritmos) e evitando, assim, 100% de culpa.

Esforçar-se pela conscientização dos DESEJOS e VONTADES e reconhecer que existem lógicas internas, como a sentimental-emocional no dinamismo inconsciente ,que fogem ao nosso controle e muitas vezes são antagônicas a lógica racional-consciente.

Por isso o esforço pela NEGOCIAÇÃO entre as partes pode ser um caminho possível.

Os CONFLITOS em si não são BONS nem RUINS, eles apenas SÃO.
Como lidamos com o conflito que definirá os resultados da experiência.

Não dá para desligar a culpa, como não dá para desligar sensação do conflito.

Logo se sentimos culpa e nos comportamos de forma auto-destrutiva tornamos o CONFLITO algo ruim, permanecendo descompensado e é uma questão de tempo para reativar o conflito.
Por outro lado, quando nos deparamos com a culpa, e aproveitamos para conhecer os dados informativos que emergem do inconsciente para o consciente, exercitando o processar destas informações, temos a chance de aprender muito sobre nós mesmos. Sobretudo de exercitar a NEGOCIAÇÃO, de experimentar o novo, de construir caminhos possíveis à realização de um Ser mais integrado diante os "diversos" de nós mesmos.

Por Marcelo Bhárreti.


Libido e Agressividade - Energia Psíquica Disponíveis à Ação




Sabe-se que o conceito de energia é complexo em si, mas sabe-se também que toda ação no universo requer energia, em forma e natureza diversa, passível de transformação de uma forma para outra, como visto em relação à energia elétrica em luminosa ou cinética. Assim do movimento de atração e repulsão das subpartículas atômicas, perpassando pelo movimento de um músculo do corpo à atividade psíquica, toda ação requer energia.

No âmbito das atividades mentais diz-se que a energia psíquica é necessária às ações desta natureza. A psicanálise trabalha com os conceitos de pulsão de vida e de morte, respectivamente libido e agressividade, como duas formas de energia psíquica necessária à ação das quais se  manifestam em atitudes e comportamentos.

Em se tratando da agressividade, ao contrário do que diz o senso comum, ela não é intrinsecamente boa ou ruim. Trata-se de uma força ou energia psíquica necessária às múltiplas ações do cotidiano. Por outro lado, são as ações e não a agressividade em si que determinam o caráter qualitativo de seu investimento. Se descarregada por meio da violência ou se utilizada para destruir os obstáculos internos que dificultam o equilíbrio psíquico é o que faz toda a diferença.

Por sua vez a libido é  denominada de pulsão de vida, por está associada ao amor, no que diz respeito às ações que criam, atraem, ligam os seres ou estes as coisas que representem objeto de seus desejos. Sempre no sentido de integrar os elementos. Em contrapartida, a pulsão de morte ou agressividade está representada pelas ações que visem à destruição, a repulsão e desintegração dos elementos. As duas formas de energias são necessárias a homeostase ou equilíbrio psíquico.

Considerando que este equilíbrio é rompido, toda vez em que o indivíduo é estimulado, a mente ou campo psíquico excita-se e esta elevação de cargas psíquicas, também denominada de tensão é experienciada com sofrimento. Quanto maior a estimulação, maior será a tensão e proporcionalmente o sofrimento psíquico. Por isso a mente precisa ser aliviada, descarregada por meio das ações – atitudes e comportamentos. A agressividade como a libido são formas de energia psíquica necessária a tais ações.

Considere uma situação em que um indivíduo caminha pela rua e tropeça numa pedra. A dor física sentida pelo indivíduo também lhe causa sofrimento psíquico por representar um estímulo que excita a mente elevando a quantidade de cargas psíquicas. Ora esta elevação de cargas ou tensão precisa ser descarregada de forma a reestabelecer o equilíbrio psíquico ou homeostase anterior a este evento. Como isto é feito?

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